Magia, pura magia...
Quando o teu olhar beija o meu
e em segredo paramos o mundo.
Textos livres, com emoções, em prosa ou poesia que nos remetam a experiencias vividas ou a viver futuramente.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Nostalgia
Um pôr-do-sol, silencioso e lento, como deveria ser...
As cores alaranjadas adoçavam o momento, singelo.
O olhar ditava a promessa nada nunca mais iria doer,
nada... nunca mais... poderia ser tão único... Tão belo!
Esse momento parado no tempo que a alma fotografou,
Os nossos pés descalços na areia, o mar salpicava no ar,
a música que aquele nosso sentimento a uma voz cantou,
a doçura de um só anjo que pela última vez pude olhar.
Era o brilho do sol que reflectia nesses cabelos perfumados,
mas para mim eras tua que brilhavas, qual estrela do meu céu,
refugiei-me nesse ofuscar para disfarçar os olhos naufragados,
abracei-te e fiz dos teus cabelos a minha protecção, o meu véu,
Já passou algum tempo. Mais que o que na verdade decorreu.
A alma baralha-se porque o tempo voa e pára consome energia.
Parado no tempo, qual fotografia, ficou esse abraço teu... meu.
É saudade de um passado maravilhoso e um futuro de nostalgia.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Quimera
No ar fica o pó de um futuro que passou,
aquele que sonhei, ou era real, não percebi,
entranha os póros do sorriso que se matou,
fingindo tapar o sol que lá fora se ocultou.
E esta alergia crónica, a cada espirro do olhar,
carrega a verdade que naufraga todo os dias,
e não me deixa ver, lá fora, o silencioso luar,
aquele que um dia ouviu o que tu prometias.
Em cada manhã, um acordar, uma nova esprança.
Um querer imortal, ressuscitado à base de sorrisos,
uma vida nova como se voltasse a ser criança,
com milhares de ilusões e querer tão imprecisos.
Mas a tarde, vem, sempre cansada, consumindo,
cada réstia de energia que em cada soriso se gera,
e de dia para dia, sinto que a vida se vai sumindo,
e que o meu querer, o meu sonho, é uma quimera.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Medo
Abri, cedo as janelas da minha alma,
Baixei dos sonhos que me protegem no escuro,
Cansado de acordar sempre no mesmo lugar,
Dúvido que estar vivo possa ser assim tão duro.
Estranha forma de sentir, este não sei o quê,
Fugazes sensações de segurança, puras ilusões,
Guardas nocturnos que me abandonam ao amanhecer,
Hoje, ontem, amanhã sempre sem explicações...
Invento, em mim, razões para ter este sentimento,
Julgo até saber, mas guardo-o para mim em segredo
Lá, onde nem os anjos chegam resides tu, só tu,
MEDO... Puro, fragilizante e doloroso MEDO.
Nunca antes, tinha ouvido falar de algo assim,
Oposto ao que sempre tinha sentido até aqui chegar,
Poderei algum dia voltar atrás, a um futuro passado,
Quando era sorriso, felicidade em cada longo abraçar.
Rio-me de mim, pobre coitado, insano que sou,
Será saudade, será apenas uma vontade indomável,
Talvez seja verdade, ou mentira, ou invenção,
Uma estranha forma de ser, uma nódoa não lavável.
Vivo assim, rezando aceitar o que sinto ou sentir diferente,
Xenofobia deste sentimento estrangeiro que me ataca cedo,
Zonzo sinto cada segundo do dia passar, afrontando por ti,
MEDO.... Puro, fragilizante e doloroso MEDO.
Serás Sempre Sonho
Serenamente... Sigo sonhando, solitário.
Saúdo-te... Sucessivamente.. secrectamente .
Saboreio... Sorrisos sinceros, seres santificados.
Sacrifíco... Segundos sagrados, sussurando silenciosamente.
Sacralizo... Semblantes, sonhando-os, sabendo-os sem sentir.
Sorrio... Sem sagacidade, saboreando sonhos sonhados.
Salvo-me... sacralizando, suaves sentimentos sentidos... segredados.
Salgados sabores, saiem-me, salivando sentindos, sorridos, sofridos, sabem serenar-me.
Sinceramente, sei-te sonho, sorrindo sincera, sorrisos safados.
Sorrindo... Sigo, sem saber sequer, se será saudade.
Sonhando-te... sorrio...sempre silenciosamente... sabendo-te... Sonho sempre serás.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Quero que sejas feliz
Ontem, cairam duas ou três, talvez mais,
lágrimas tímidas e confusas deste olhar,
doces sentimentos, saudade e felicidade,
um misto de sentimentos fundamentais,
um sonho, que vivo, um doce puro amar,
um querer-te feliz que é pura verdade.
Fecho os olhos, e sinto na ponta dos dedos,
longe, mas tão perto que te sinto o calor,
a suavidade da tua pele, a doçura do teu ser,
a voz doce que me acalma todos os medos,
a tua amizade que para mim é puro amor,
que calado, de longe, vou para sempre viver.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Chuva Sorridente
Fez-se luz, na escuridão da minha alma,
não foi preciso um coração, nem um sorriso,
bastou mudar-me para conseguir a calma,
que anseio, amo e na verdade preciso.
Basto um sorriso irónico a cada adversidade,
sentir chuva o brilhar do sol no topo do mundo,
querer ser feliz, ser humano em total cuplicidade,
e não desistir ou desanimar em qualquer segundo.
Basta abrir a mão e deixar cair o vidro que nos corta,
cortar a sufocante amarra que trazemos ao pescoço,
puxar e sentir sempre a vida numa natureza morta,
fazer de um sorriso sincero o nosso pequeno almoço.
Tenta, tu também consegues, experimenta por um dia,
se o sonho não te bate à porta, constrói a tua porta,
aceita ser feliz, tudo o que te dão e que a vida te sorria,
porque a estrada leva-te sempre algures mesmo que seja torta.
Hoje chove, sim eu sei, e ainda assim eu sorrio,
porque estou vivo e amo tanto o meu puro eu,
porque só eu sou a corrente do meu próprio rio,
o destino sou eu que o faço, porque o futuro é meu.
domingo, 21 de outubro de 2012
Conforto de realizar um sonho
Talvez não tenha habilidade suficiente,
para desenhar com letras as emoções,
tudo aquilo que nos explode na mente
sai pelos olhos não cabe nos corações.
Um singelo gesto, um sim, um fugaz sorriso,
um simples realizar de um sonho tão pequeno,
coisas tão nada na nossa vida que nos é preciso,
aprender que nada em nós tem de ser veneno.
Um dia consegui realizar um sonho, a uma criança,
não precisei de muito, apenas dei um pouco de mim,
mas esse nada, para ela era tanto, era uma esperança,
que a sua vida invertesse e não tivesse de ter fim.
Chorei, sim os homens, na verdade, também choram,
e sem acreditar pedi tanto aos céus uma oportunidade,
fiz promessas sem querer saber sequer como se cobram,
dei de mim, para ele, para que pudesse sentir a felicidade.
Foi bom demais sentir o doce e delicado perfume do seu sorriso,
o sabor daquele abraço embrulhado num olhar em lágrimas lavado.
Hoje sou eu que peço um gesto, uma palavra, um nada que preciso,
para me reconfortar, acalmar, e poder dormir uma noite descansado
A principal actividade da Terra dos Sonhos consiste na realização dos sonhos de crianças e jovens diagnosticados com doenças crónicas e/ou em estado avançado de doença, crianças e jovens carenciadas e idosos, como forma de transmitir uma mensagem de esperança na possibilidade de realização dos seus objectivos mais inspiradores, independentemente de circunstâncias, condicionamentos e limitações. A superação da impossibilidade através da criação da possibilidade é o resultado final pretendido.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Insónia
Deserto, um verdadeiro deserto,
sem vida, só uma visão lunar,
onde nada parece ficar perto,
onde sonho um dia ver o mar.
Perco-me no cheiro de um sorriso,
alucino o doce sabor de um abraço,
dormir é apenas tudo o que preciso,
dar um funeral a este imenso cansaço.
Na orla da memório uma só imagem,
um gesto fugaz perpetuado no infinito,
querer efémero de prestar vassalagem,
um sonhar que o mundo é lugar bonito.
Confesso, de joelhos prostrado no chão,
tiraram-me o sorriso, ser feliz e o viver,
tudo nunca passou de uma triste ilusão,
queria tudo menos o que está a acontecer.
Vivo na insónia ou em pesadelos atrozes,
a tormenta é tanta que me chego a habituar,
tenho em mim os fantasmas mais ferozes,
trago no peito algo que insiste em me rasgar.
Misturo-me nas cores do fumo que expiro,
em cigarros chorosos que se prendem a mim.
Bastava uma palavra ou então um só tiro,
algo que me levasse a um qualquer fim.
domingo, 14 de outubro de 2012
Mereces demais ser feliz
Sabes olhando para trás, os meus lábios sorriem,
inundado e perdido, o meu olhar ainda enternece,
sonhos perdidos apenas para que as almas aliviem,
o amor não morre e alguém como tu não se esquece.
È um sabor agri-doce, que passa-me pelo pensamento,
uma lagrima de felicidade e dor que atravessa o olhar,
um suspiro de incerteza e bem querer, um sentimento,
um bem querer, de amigo sincero, um singelo amar.
Sabes, na verdade, é uma ternura e felicidade que sinto,
quero muito que tenhas a felicidade que te é merecida,
queria ser eu, sim é a mais pura verdade, não te minto,
porque és a pessoa mais fantástica que tive na minha vida.
Mas hoje, sei o que sou e como serei eternamente,
Quero ser o teu melhor amigo em cada segundo,
alguém que confies e que te dê felicidade ternamente,
alguém que faça parte desse teu maravilhoso mundo.
O meu desejo é que Ele te faça sentir Deusa neste mundo,
que te sintas sempre amada, desejada, querida e protegida,
que te dê um amor eterno, doce, cumplice e profundo,
e que seja para ti o Homem e a Felicidade de toda a vida.
Tu mereces demais ser feliz!!!!
Para ti Arco-íris...
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Infinita Saudade
O tempo escorre pelas paredes do corpo,
gota que não resiste à força da gravidade,
e o fatídico momento que tornou tudo torto,
parece ser ontem mas dói porque é eternidade.
Dos teus lábios, sábios,vinha a pergunta açucarada,
"Quem tem um menino lindo?", sorrindo no olhar,
"È o avô!" gritava como o mundo fosse quase nada,
olhava-te feliz pela verdade que de estava a afirmar.
Eu era teu, tu meu, eramos o mundo, o tudo e o nada,
luz no escuro, porto de abrigo, resguardo, estrela guia,
uma doce querida possessividade por nós aceitada,
eramos um ano por inteiro em apenas um só dia.
Cada Carnaval, cada passeio ou queima das fitas,
era uma felicidade enorme ver-te feliz a viver.
Ouvir o teu passado, essas imensas horas aflitas,
que contavas sorrindo, porque soubeste sofrer.
È tão enorme, imensa e colossal esta tua falta,
avassala-me a alma inquieta por tanta maldade,
esta infinita dor grita sempre de forma mais alta,
por te querer tanto torna-se infinita esta saudade.
domingo, 7 de outubro de 2012
Alma em combate
O vento corta a alma quase morta,
o mar, em vagas cruéis, dilacera,
parte a pedra basilar que nos exorta,
o sol, essem tornou-se uma quimera.
A espada que corta o fumo do pensamento,
fina e aguçada, fere com as suas garras,
um corpo exausto em enorme sofrimento,
preso ao inferno por inquebráveis amarras.
No chão, imóvel, morre a utopia de um sonho,
soltam-se mordazes fantasmas maquiavélicos,
arrepia-se o pesadelo mais funesto e medonho,
ensaiam-se novas estratégias e recursos bélicos.
A luz, essa já se apagou, qual fraca chama extinta,
invocam-se deuses maliciosos do ódio e da guerra,
e certos de irmos perder tudo o que de bom se sinta,
jamais quereremos viver com gente assim nesta terra.
Eu, pobre soldado raso, numa guerra desconhecida,
choro por dentro enquanto ataco o inimigo aparente,
suplico silencioso que por sorte, um azar leve a vida,
e que a mágoa, dor e sofrimento partam no sol poente.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Bola de Sabão
São de espinhos as palavras que se sopram,
lufadas de nada tão vazio como o sentimento,
bolas de sabão, por fora lindas que encantam,
por dentro muito vazias sem qualquer alento.
Ondas de choque pelo rebentamento inesperado,
que chegam em vagas destruindo tudo à passagem,
não se vê, nem sente é um crime silencioso e calado,
é o quebrar da ponte que ligava o céu a outra margem.
Não há anjo neste inferno que mude o destino,
não há sol, luz que ilumine o caminhar solitário,
e se o maior desejo era voltar a ser pequenino,
jamais se consegue rezando infinitamente o rosário.
Sabias tu, bola de sabão de ar divinal e superior,
que no teu sopro trazias a vida a este pobre mortal.
no teu brilho, isngelo e frágil trazias um amor,
que fantasiava não ter fim feliz, por não crer haver final.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Tão frio este calor
Toco o teu rosto, quieto, imóvel e insensível,
toco e retoco cada milímetro da tua silhueta,
aclaro, escureço, recomeço, reponho o nível,
coloco cor mas a foto fica sempre branca e preta.
Vou trabalhando a minha obra prima, com amor,
com lágrimas tempero o cozinhado nesta tela,
mais luz, para te iluminar a beleza, mais calor,
com saudade tento embelezar a mulher mais bela.
Passo horas, fazendo e refazendo tudo ao pormenor,
fico mais perto de ti, que me afastas a cada segundo,
porque a saudade, a dor e mágoa também são amor,
porque seria tão fácil fazer brilhar o sol no meu mundo.
No brilho do teu olho vejo a luz de velas numa noite perfeita,
pelo canto do teu sorriso, vejo sonhos que demos com amor,
no teu cabelo rebelde, vejo um abraço único que se rejeita,
no teu corpo, vejo a saudade de ti. É tão frio este teu calor.
Fico assim, toda a vida, solitário a pensar que irás chegar,
subir as escadas, ao meu encontro, com querer e vontade
imagino o som da campaínha, fantasio um novo abraçar,
quero tanto e sei que este acontecer jamais será verdade.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Estranho mundo de afectos
Estranho mundo este em que se existe,
tira quando quer dar e omite para dizer,
abstem-se e baixa os braços quando resiste,
deduz uma verdade, sem ouvir nem ver.
Em cada nó que damos neste mundo,
desatamos o laço que une e dá vida,
e se o dizemos ligado, forte e profundo,
logo chega o personagem que duvida.
Neste astro, onde estamos teletransportados,
sem porta para sair porque as fecham com vigor,
somos mágoa sem perceber que fomos amados,
choramos a desilusão sem perceber o que é o amor.
Parem o mundo que eu quero sair, esperava ouvir,
esotu aqui de peito aberto e quero ser para ti poema,
vamos correr, voar, sonhar, dar vida sempre a sorrir,
vamos neste filme recomeçar uma nova cena.
A vida é só e apenas o que acontece,
e onde magoamos quem nos quer bem.
A vida é tudo o que a nossa alma tece,
A vida é tudo o que a nossa alma tece,
é sermos de todos, do amor, e de ninguém.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Amora Silvestre
Que belo jardim que encontrei, e me pediu que trate,
que lhe faça crescer flores e que venham borboletas,
que o trabalhe, ajude e o proteja de todo o disparate,
e quando estiver pronto o inaugure ao som de cornetas.
Assim vou fazer, vou encontrar as melhores sementes,
e escolher delicados frutos silvestres, apenas os mais doces,
vou cuidá-lo, embelezá-lo e vedá-lo com postes e correntes
e ensair a musica mais suave que na alma esboces.
Hoje vou plantar uma amora, das mais doces que vi,
vou regá-la todos os dias, podá-a e cuidar bem dela,
porque é o doce que de tão doce se aproxima de ti,
um dia alguém pintará este jardim numa enorme tela.
A amora, plantada, foi crescendo do nada e criou raizes,
em breve vieram folhas ásperas e caules que espinhosos,
e esqueci que nunca sabemos tudo, somos apenas aprendizes,
muitas vezes somos maus e pensamos estar a ser carinhosos.
Um enorme silva cresceu, e invadiu o meu belo jardim,
inconsciente e pensando que fazia o bem criei o mal,
descomunal é esta dor, que nunca me perdoará a mim,
eu tentei fazer o bem, mas o jardim só viu o erro afinal.
domingo, 23 de setembro de 2012
Falando com a Arco-íris
Já reparaste arco-íris, os Deuses voltaram a chorar,
é a verdade, ainda que seja por motivos diferentes,
e se o seu poder não permite fazer alguém mudar,
choram magoados, presos a fortes e pesadas correntes.
È irónico, no mínimo, que a altura do ano que adoro,
seja, invariávelmente, a que profundamente me magoa.
Tu sabes que não nasci para ser feliz e por isso choro,
sonhos em cacho que a vida friamente desbagoa.
Não achas curioso, que tudo o que mais me faz feliz,
por mais que dê e pense que estou a fazer o melhor,
me magoe e me deixe sempre da forma que nunca quis,
sem compreensão, sem preocupação deixando a dor?
Sabes arco-íris, falo contigo porque me ouves afinal,
Tu sabes como tenho esclado esta íngreme montanha
só Tu sabes como já me faltam as forças e me sinto mal,
e como até o ar, na minha alma, já me fere e arranha.
Perdoa se um dia desistir porque já não consiga suportar,
chega um dia que a cabeça pede mais um esforço final,
mas o corpo já não resiste, desiste e acaba por naufragar,
e a peça termina quando o bem se deixa vencer pelo mal.
Porque a vida é uma peça de teatro sem ensaios finais,
tantos actos conto, esta caminhada parece não terminar mais.
Não saber o que é amar
Onde e como escondes os sonhos e desejos que tinhas,
como consegues destruí-los ou abandoná-los sem dor,
seria apenas a minha insanidade a julgar que vinhas,
seria só a ansiedade de te sentir num verdadeiro amor.
Ponho tudo em causa, incrédulo por nunca ter duvidado,
que existia algo mágico e único que corria dentros de nós,
terá sido apenas a minha alma neste barco naufragado,
terei eu imaginado que a toda esta beleza um dia deste voz.
É doentio, eu não o posso ter fantasiado tanto, não pode ser tão real.
Sendo assim, afinal, porque tão efémera e fugazmente se dissolveu?
Turva a visão este nevoeiro ou fumo, nem sei, por não ser normal,
e talvez te julgas superior e magoada por alguém que muito sofreu.
E no fundo, tudo tinha sido ou poderia ser tão simples e natural,
bastava que acreditasses que nunca te deixaria cair e te apoiava,
porque acreditava no que dizias sentir eque nunca tinha sido igual.
Bastava crer que podia até ter opiniões diferentes mas no fundo te amava.
Talvez seja demasiado tarde para tudo, talvez a madrugada me adormeça,
talvez nada tenha valido a pena ou afinal eu esteja uma vez mais a fantasiar,
eu só queria aprender como o fazes para tentar que um dia me esqueça,
que afinal acabou estupidamente porque um de nós não sabia o que era amar.
Chuva da madrugada
A aurora, hoje, trouxe de novo a chuva pela madrugada,
que pena esta água não apagar o fogo que me consome,
a vida, sopro suave e frágil por entre a visão molhada,
resiste à solidão, injustiça, ausência e saudade como pode.
Por entre palavras ditas por quem mais sabe escrever,
vagueiam pensamentos e imagens que me fazem chorar,
e se não fosse pela música que entra por mim a doer,
talvez fosse a hora de desistir, partir sem mais voltar.
Leio, releio e tento ver nas palavras por ti um dia escritas,
uma verdade salvadora que do chão teima nunca se erguer,
e se as gotas de água que caiem no meu chão até bonitas,
as que caiem no chão da alma rasgam e fazem sofrer.
É tremenda injustiça julgarem sem me conhecer de verdade,
sem perguntar se o que quero é mesmo o que sentenciam,
e avassalador desistirem quando andaram na mesma cidade,
dói demais pensar que se ajuda e afinal os fantasmas apareciam.
E se vissem que também tenho fantasmas no chão da minha alma,
acordados tão mais cedo que os que um dia, sem querer, acordei,
se criassem em si aquela ansiada, tão desejada e exigida calma,
e em silêncio pensassem se calhar dói-me porque também magoei.
sábado, 22 de setembro de 2012
Alucinação ou realidade
O corpo dormente de tantas batalhas fustigado,
alimenta, a custo, a alma que atravessa o deserto.
Injustiça imensa, que se torna colossal pecado,
que se mostra longe quando deseja estar tão perto.
A cama, essa pobre abandonada, chora solitária,
por tantas noite de desprezo que o corpo tem dado.
A vida, objecto estranho de tez frágil e precária,
lamenta o pensamento vazio e o olhar naufragado.
Poderá ser finalmente um prenúncio de morte,
o caminho árduo e sinuoso para a eternidade?
Ou será só mais um capítulo da infeliz sorte,
uma malvadez dos Deuses em cumplicidade?
Na penumbra, surge um anjo qual miragem,
uma ténue silhueta, real mas pela vista turvada.
Num momento cai a máscara e a camuflagem,
num abraço, a dor fica apenas um pequeno nada.
Junta os pedaços espalhados pelo chão, salvando,
a separação definitiva de matéria e abstracto.
Deixa os lábios, olhos, voz e pensar fermentando,
porque como ser divino pretende mais um acto.
Tu não gostas que te identifique, mas obrigado por seres a pessoa mais maravilhosa que o universo alguma vez pôde criar. Obrigado por esxistires e apenas com uma palavra conseguires o que tantos se esforçam sem sucesso por fazer. Obrigado porque és uma amiga de verdade. Obrigado, é tão pouco para te oferecer mas é tudo o que tenho.
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