O corpo dormente de tantas batalhas fustigado,
alimenta, a custo, a alma que atravessa o deserto.
Injustiça imensa, que se torna colossal pecado,
que se mostra longe quando deseja estar tão perto.
A cama, essa pobre abandonada, chora solitária,
por tantas noite de desprezo que o corpo tem dado.
A vida, objecto estranho de tez frágil e precária,
lamenta o pensamento vazio e o olhar naufragado.
Poderá ser finalmente um prenúncio de morte,
o caminho árduo e sinuoso para a eternidade?
Ou será só mais um capítulo da infeliz sorte,
uma malvadez dos Deuses em cumplicidade?
Na penumbra, surge um anjo qual miragem,
uma ténue silhueta, real mas pela vista turvada.
Num momento cai a máscara e a camuflagem,
num abraço, a dor fica apenas um pequeno nada.
Junta os pedaços espalhados pelo chão, salvando,
a separação definitiva de matéria e abstracto.
Deixa os lábios, olhos, voz e pensar fermentando,
porque como ser divino pretende mais um acto.
Tu não gostas que te identifique, mas obrigado por seres a pessoa mais maravilhosa que o universo alguma vez pôde criar. Obrigado por esxistires e apenas com uma palavra conseguires o que tantos se esforçam sem sucesso por fazer. Obrigado porque és uma amiga de verdade. Obrigado, é tão pouco para te oferecer mas é tudo o que tenho.
















