terça-feira, 14 de agosto de 2012

Máscara



É chegada a hora de levantar a máscara, sorridente,
a porta fecha-se atrás de ti, aqui já ninguém te vê...
Podes agora explodir e deixar-te cair lentamente,
Calma que aqui neste canto ninguém sequer te lê.

Em cada lágrima que deixas fluir do teu incrédulo olhar,
vejo um mar de mágoas a rebentar no areal da tua alma.
E tarda que venha a ti a baixa-mar num ansiado abraçar,
que reponha o teu mundo, o teu sorriso e a tua calma.

Desabafas comigo, em gritos mudos reclamas o que dói,
deixas-me a pensar quanto tempo e mágoas aguentas mais,
insistes em deixar-te em ti tudo quanto dilacera e mói,
e assumes tudo como dores e fases passageiras e normais.

Chega de dor, chega de quereres o pior para ti... Grita.
Rebenta a corrente que em ti te oprime, sufoca e limita,
Erras muito mas não mereces tanta rejeição e mentira,
Sê feliz ainda que tudo comece por um sentimento de ira.

Tu sabes o quanto és e o que vales, só tu podes acreditar.
Só tu tens direito de te magoar não permitas que o façam.
Relaxa agora que tiraste a máscara, e podes enfim chorar,
Deixa que venham os anjos e sonhos que felizes te abraçam.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Uma noite...


E a noite,s erena e  dolorosa vai chegando,
enquanto a tarde sem pressa vai caindo,
arrefece lentamente matéria desmaiando,
enquanto o sufoco vai aos poucos emergindo. 

Entre quatro paredes, e umas poucas portas,
por entre sonhos solúveis e lágrimas de dor,
resta a alma perdida, resto de matéria morta,
cansada de sentir, triste e descrente no amor.

As horas voam alto para quem quer ser feliz,
e demoram muito a passar para quem espera.
Estranho esta forma como o tempo se rediz,
oculto em mim fechada mais uma quimera.

E a noite avança, com a sua foice dilacerante,
com o seu silêncio solitário, amargo e frio,
com emoção tristemente molhada e galopante,
transformando o olhar num largo e imenso rio.

Por fim, tudo termina, longe do dia começar.
O corpo desiste mas a alma acaba por renegar,
em separação absoluta o corpo há-de acordar,
mas a alma, essa chora dia e noite, por querer sonhar.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Ès a matéria de que são feitos os sonhos




É quente e açucarada a brisa que sai dos teus lábios
quando em sussurros dizes em palavras este amor.
Fazes magias sem saber com gestos suaves e sábios,
trazes de voltar um sorrir enorme e sonhador.

Quando os olhos precisam de ver a tua presença,
quando a mão anseia tocar a tua pele de veludo,
tu sabes como guiar a minha alma, dando licença
aos meus pés que voem neste mundo sobre tudo.

O tua alma é muito mais que um tesouro precioso.
Um sorriso teu faz parar todos os males enfadonhos.
O teu olhar é estrela, doce de um ser maravilhoso.
Porque tu és a matéria mais nobre de que são feitos os sonhos.

Para ti Ana...  

Tanto, muito, tão pouco e imenso que é só amor



Esta falta imensa que me leva a escrever,
forma de gritar calado o nó que me sufoca.
Sentimento imenso e único este querer,
que com lágrimas de dor a visão me desfoca.

É saudade, é mágoa de querer muito e não ter,
é turbilhao de emoções que se exprimem em dor.
Se por um segundo o mundo parasse para poder ver,
o tanto, muito, tão pouco e imenso que é tao só amor.

Queria a lâmpada de Aladino e chamar a mim o génio,
ter para te oferecer dois dos três desejos concedidos.
Que fosses a mulher mais feliz no próximo milénio,
que todas as tuas dores e pesadelos ficassem esquecidos.

Para mim, guardava um desejo. Um apenas me chega,
Queria ser e fazer-te feliz. Esse sorisso faz-me sonhar.
Sim é contigo que quero ter o sonho que me aconchega,
é contigo que quero ter futuro e aprender a voar...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O meu próprio chão



Uma e outra vez, e ainda outra vez mais,
só o silêncio se conserva neste deserto,
nunca há maré que me leve deste cais,
nunca para mim o longe se torna perto.

É neste chão que foge permanentemente,
que me sento, sinto e refugio da solidão
de olhos fechados, inundados, descrente,
a ouvir o tumultuoso bater do coração.

Dizem que a vida é dura para quem é mole,
mas sou a confirmação da lei contrariando-a,
quando vôo as minhas asas agitam o fole,
que consome a minha felicidade matando-a.

E assim sigo, o longo caminho que a vida é,
sorrindo, ou aceitando o meu choro perdido,
uma vez ao cólo outras pelo meu próprio pé,
mas consciente que nada  mais faz sentido.

Quanto mais te procuro mais me perco em mim,
quero te agarrar mas largas-me sempre a mão,
tantas vezes que te peço mas parece não haver fim,
e eu que queria apenas ter o meu próprio chão...

terça-feira, 3 de julho de 2012

Malmequer



Frágeis pétalas amarelas, pelo sol doiradas,
finos pedaços de vida quase que inertes,
pequenos colossos que são quase nadas,
sonhos meus imortais por mais que apertes.

A cada pétala que retiro numa crescente emoção,
vou simulando sorrisos e lágrimas esperando o fim,
umas vezes sim, outras tantas vezes apenas não,
uma alma que espera e desespera alojada em mim.

As frágeis pétalas, que o vento primaveril sacode,
esvoaçam dos meus dedos como penas no ar,
e num grito silencioso aguardo a alma que me acode,
quando o chão me foge e, sem asas, não sei voar.

Em palco antes do pano cair e se fechar,
dizem os livros, devemos dar a moral,
E se podemos aprender até mesmo a voar,
nunca saberemos suportar a dor do mal.

Mas desta vez, talvez apenas desta vez,
ao se nome a última pétala contrariou,
e entreguei-me sem dúvidas e porquês,
um dia o homem tem de ser o que sonhou.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

My Latin Soul: verbo...ser

My Latin Soul: verbo...ser: Exige! Pergunta! Reclama! Fala! Provoca! Mexe! Vai! Sente Voa! Procura! Ama! Desesperadamente... * Só assim sei ser

Simples, Conciso e Concreto :) Adorei

My Latin Soul: verbo...ser

Simplesmente único... Simples, conciso e concreto :) Adorei.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A vida é um lugar estranho



Existe uma nuvem onde fizeste a tua casa,
onde o sol chega, mas gelado como brasa,
deserto de alma sem ter qualquer cor nos sonhos,
e onde os pensamentos são fugazes sons medonhos,
o silêncio grita mudo em ti, o mundo, ensurdece,
por uma inqualificável razão que teus lábios emudece.
Nuvem negra que se aclara onde teus passos tocam,
anjo sem asas no paraíso onde os deuses te invocam,
dorme em paz o sonho que trazes só em ti plantado,
jaz-me no peito o desejo que impões mantenha calado.
Um dia vou ter asas de papel e voarei até esse castelo,
e se me beijares, prometo, não hverá dia mais belo.
Até lá... Solitáriamente...Recolho-me no meu canto taciturno,
pensando na, em ti... vida... e nas horas em que não durmo.
Procuro respostas para as mais elementares questões existentes,
sem sucesso, de forma contínua até ficar com ideias dormentes.
A que sabe um teu sorriso?
De que cor é uma tua Lágrima?
A que sabe esse teu doce perfume?
Qual a força de um beijo teu?
Quantos anos dá um abraço teu?
A vida... É um lugar estranho.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Confusão do amanhecer


Jaz a noite serenamente no acordar da madrugada,
os naufragos da solidão que sobreviveram impunes
e confusos a mais uma dolorosa e violenta caminhada,
sorrirem e choram juntando as imagens que desunes.

Pobres olhos que miram o vazio amendrontados,
Indecisos em sorrir por mais um dia a levantar,
ou chorar por todos os sonhos efémeros derrotados,
numa luta sem quaisquer vitórias para vanglorizar.

Na alma, uma prece aparece renovada insistentemente,
um querer tão forte quanto a fragilidade de um sonho,
uma verdade que se anseia ser traduzida a toda a gente,
uma imagem transformada em pesadelo medonho.

No corpo inerte corre o sangue que teima em não parar,
bombeado por ti que és culpado desta existência infeliz.
A alma insana com desejo de sentir o que se sente ao amar,
grita silenciosamente palavras deliceradoras que nunca diz.

É imensa, avassaladora, crónica, eterna e mortal,
a mágoa que sufoca sob esta máscara que sorri,
se o fumo dos tempos não dissolve a imagem fatal,
nunca conseguirei deixar de sofrer por tudo o que sofri.

E a noite... Jaz... Serena... Sorrindo...
Foi um dia que acabou... É um dia a começar...
E o passado que não me deixou diz mentindo,
Está na hora de viver... Começa por te levantar.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Se te perco, nunca me encontro


Eu queria que hoje pudesse ser dia
de sorrir ou nem que fosse só sentir.
Mudar as luzes com que tu seduzes
e esse perfume que me leva ao ciúme.
Eu gostava do sorriso que me levava
ao céu quando te tirava esse suave véu,
quando a manhã era vista do teu divã,
e o mundo tinha um sentido profundo.
Estou a sonhar que um dia me vais amar,
e faço deste sorriso tudo o que preciso
para viver, sózinho, sem lutar, sem sofrer,
até o sol raiar e aos teus olhos eu me entregar.

Porque se te perco eu nunca me encontro...




domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sabias...


Sabias...
Pode haver mais sede que no deserto,
mais solidão do que na lua,
mas espaço do que esta rua,
mais calor quando estás por perto.
Pode haver mais kilómetros que esta estrada,
mais frio que na serrada mais fria,
um novo fechar quando se abria,
um tudo que é um quase nada.
Sabias...
Pode haver uma escrita de luz,
um simples desejo em um gesto,
uma vontade em cada manifesto,
um perfume doce que te seduz.
Pode haver um soneto feito em prosa,
uma cor que te deixe mudo,
um quase nada que é mais que tudo,
um novo nome para esta rosa.
Sabias..
Se me fizesses viver, também poderias viver,
Se me fizesses sorrir, por certo sorririas também,
Se me fizesses ser pai, tu serias a melhor mãe,
Se me fizesses feliz, bastava-te um só querer.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Desabafo solitário


Quando o nó aperta e os olhos se inundam,
cai-se por terra enfim cansado, de desalento.
Os olhos sufocados de dores que não acabam,
anseia-se que venha a luz que se faça momento.
E se são essas feridas que te ferem e te matam,
fecha os olhos e muda para preto deixa o cinzento.

Se o sono acalma a mágoa, porque não dormes?
Se a música anima, porque não danças?
Se o sorriso ilumina o caminho, porque não corres?
Se a correr chegas mais depressa, porque te cansas?

É sina que se repete e sucedede incessantemente,
qual maré agitada que vai e volta sem mais parar.
Acordas e vestes a máscara, qual actor que mente,
impões o escudo qual gladiador ferido para lutar.
Sobra-te a alma fraca, ferida, cansada e dormente,
o coração que já não bate parou de cicratizar.

Se partir é solução, porque não vais mesmo agora?
Se no fim tudo recomeça, porque não termina neste segundo?
Se é na vida que te magoam, porque não tentas ir embora?
Se aqui não és feliz, porque não partes deste mundo?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Insanamente


Chego a ouvir aqui no escuro os meus próprios pensamentos,
misturado com esse perfume que trago eternamente na alma,
gritos mudos sem cura mesmo com terapias e medicamentos,
perfume inexplicável que me dava tanta felicidade e calma.

Estupendo, dirias em castelhano, com o teu sotaque perfeito,
talvez me dissesses que apenas o escrevo, que é mentira,
ou apenas sorrises, envergonhada contra o meu peito,
mas tudo não passa de silêncio colossal que não expira.

Loucura, demência.. Talvez... Sinto-me incapaz de me encontrar,
percorro caminhos, invento alegrias, pinto felicidades imensas.
Sabes, chego mesmo a querer adormecer e não mais acordar,
escondo as dores, falando apenas das menores e menos intensas.

E quando durmo, sonho, nas poucas vezes que isso acontece,
lá tudo é pôr-do-sol e sorrisos, verão ou primavera florida...
Um abraço, sim o teu abraço, é o desejo em cada prece..
Um beijo, sim um beijo teu, é só tudo o que mais quero na vida.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Um homem só


Vejo sons em imagens que ouço enquanto choro,
arrumo a um quanto a máscara que me esconde,
deixo que a alma disfrute deste perfume inodoro,
atiro fora o sorriso que escondo sem saber onde.

Sento-me no sofá que tantas vezes serve de cama,
ligo a companhia da solidão mesmo que não a olhe,
fecho os olhos e sinto que longe o céu me chama,
sinto a alma escorrer sem saber se lá alguém me acolhe.

Perco-me nas horas olhando o vazio que há em mim,
adormeço já tarde, como se quisesse sentir mais o doer,
acordo e tudo é igual, dor e mais dor, há muito que é assim,
na minha alma é um frio inverno e nos olhos sempre a chover.

Dizem que um dia vou sorrir.
Dizem que estar assim mete dó.
Dizem que o sorriso há-de vir.
Dizem que sou um homem só.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Vida Madrasta

Juro que tento entender e perceber
até tento aceitar e resignar-me,
Mas a cada passo que faço crescer,
foge o chão para assustar-me.

Sonho apenas com um canto de céu,
um sorriso que possa ter sem medo,
um momento sem surpresas, sem véu,
um sabor doce que não acabe em azedo.

Será pedir muito tudo o que desejo,
poderás tu nunca daixar-me sorrir,
porque páras a festa quando festejo,
porque fechas tudo o que quero abrir?

Porque, para mim és tão madrasta,
se para mim me és tão querida?
E se deixasses este corpo que se arrasta?
Porque me magoas tanto... Vida?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tu



Gostava de saber como é o teu olhar,
o que vês para ti só pode ser bonito
o brilho que tens é verdadeiro sonhar,
és magia que me leva além do infinito.

E se atento no teu sorriso doce e terno,
que confunde a maturidade e ser criança,
que me faz desejar o meu eu ser eterno,
e do meu querer um duradoura esperança.

Na alquimia do teu ser misturas com rígor,
o teu sorriso e olhar nessa unidade emocional,
nesse teu corpo de únido de verdadeiro amor,
és vida, és arco-íris, és um sonho divinal.

A mim, pobre mortal que anseio o teu querer,
resta-me olhar-te sem te poder sequer tocar.
Mas a esperança é sempre a última a morrer,
e vivo da felicidade que dás apenas por te amar.


O Mundo, é apenas o local onde vives.



Poderia haver um amanhecer de luar,
uma ponte sobre este imenso mar,
um rio onde se pudesse caminhar,
poderia o vento agreste me acariciar,
o sol nunca permitir o enregelar,
e um abraço sorrindo em cada amar.

Poderia o céu brilhar ao amanhecer,
nunca haver uma hora de sofrer,
existir um porto para todo o doer,
haver uma praia onde pudesse viver,
um monte nevado para me aquecer,
e uma rua com o nome do meu querer.
uma imagem digna do teu ser.

Poderia a terra inerte ser ser vivo e sentir,
haver um calor humano em cada dormir,
a estrada que parte nunca ser apenas de ir,
o ar ser um doce véu para te cobrir,
cada segundo ser o momento do vir,
e a felicidade ser sempre o teu sorrir.

Poderia este planeta ser isento de dor,
o inverno nevado ser uma fonte de calor,
a vergonha ser apenas o teu leve rubor,
o arco-irís celestial triplicar a sua cor,
a vida ser sempre uma fonte explendor
e o mundo ser um todo em amor.

Poderia haver um sentimento que a tudo dure,
haver sempre um alguém que me procure,
ser o carinho o fármaco que a tudo cure,
a amizade algo único que nunca se descure,
uma lágrima nunca seja algo que nos amargure,
e um abraço a porta aberta que nos aventure.

Que o mundo... esse... seria apenas o local onde vives.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Até que o ar não me alimente...


Navegos nos sonhos dispersos pela alma,
nesta onda umas vezes forte outra calma,
levo a palavra escrita em gestos e afectos,
tão perdidos, gritos silenciosos e inquietos.

Dizes-me, fantasio, com o teu doce olhar,
desejos e vontades que te deixam a sonhar,
com a tua mão escreves, num dialecto só teu,
frases no meu rosto que me levam ao céu.

Desvias o teu olhar tímido e páras o momento,
tens medo de libertar o sorriso e o sentimento.
Mas eu espero, até que o ar já não me alimente,
forte é o querer quando é enorme o que se sente.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Navegando no céu azul



Num raio de sol, arde uma verdade do ser,
a neve derrete por entre as chamas da vida,
não há maior medo que o medo de temer
que uma palavra seja verdadeira e sentida.

Foge-nos dos pés o chão, escondemos o gesto,
o silêncio, dos lábios, fala eloquente sem igual
desvia-se o olhar para que não seja manifesto,
é a timidez que imposta parece normal.

As flores que perfumam o teu imenso jardim,
que trazes no teu olhar quando te vejo sorrir,
fazem, tu sabes e sentes, crescer em mim,
uma vontade imensa, feliz e louca de partir.

O barco atracado, tem céu azul para voar em liberdade
não tem asas, mas tem sonhos que só tu sabes criar,
quando partir cruzará no horizonte o pôr-do-sol sem idade,
e só voltará quando nos deixar de ser permitido amar.