Seguia o caminho longo de olhos feridos inundados,
solitário de alma e companhia, leva a sua alma
por entre curvas rectas que não levam a lado algum,
uns dias impaciente, alguns ansios e outos com calma.
Segue a sua viagem peregrina, ao calvário do seu destino,
na cabeça imagens do que fora a sua origem e criação,
na vontade apenas o querer imenso de voltar a ser menino,
na telefonia avariada ecoavam os gritos mudos do coração.
E segue, sem destino definido
com rumo ao tangível infinito,
sem medos ou receios,
sem curvas nem passeios,
porque viver é sempre sentir
e para amar tem de saber sorrir.
Procura na luz da noite, ofuscada pelo negro de alguns dias,
a vontade persistente do querer que se um dia se perdeu,
passa cortadas, caminhos, cruzamentos e iluminadas vias,
ninguém tem destino se não souber onde vai e o que é seu.
Nesta viagem vale tudo e não vai faltar combustível para mim,
a única regra, imposta pelo destino é nunca poder voltar atrás,
pode aceitar parar, prosseguir, virar e até determinar o fim,
mas para trás fica a utopia do que nunca foi, do que nunca se faz.
E segue, sem destino definido
com rumo ao tangível destino,
sem medos ou receios,
sem curvas nem passeios,
porque viver é sempre sentir,
e para amar tem de saber sorrir.
Apenas sabe respirar e isso serve-lhe como vida,
para si uma flor murcha é mais uma vida sofrida.
Faz do seu silêncio um monólogo do seu sofrimento,
imagina a audiência estarrecida no seu depoimento.
Mas acorda sozinho, no seu mundo sempre inquieto,
onde um abraço ou um sorriso são sinais de afecto.
E traça a sua vida ao sabor do seu caminho em solidão,
canta a sua música ritmada ao sabor apenas do coração.
Pode um dia ter um porto de abrigo,
um sorriso, um coração que toque consigo,
nesse dia fará dessa música um dueto perfeito,
um ser que o faça feliz ao partilhar o seu leito.
E segue, sem destino definifido,
com rumo ao tangível destino,
sem medos ou receios,
sem curvas nem passeios,
porque viver é sempre sentir,
e para amar tem de saber sorrir.