sábado, 8 de novembro de 2008

Gota


Uma gota, presa na liberdade
de um corpo cansado e triste.
Escorre curvada pela privacidade
do caminho sinuoso que existe.


Salta e paira no ar, até tocar o chão,
arrefece ao subir na descida da dor.
poderia ter sido amparada pela mão,
mas caiu e fugiu, escondeu o seu amor.



Uma gota, simples e bela no seu brilhar,
reflectindo o sol solitário do pensamento,
apagando a luz que fica com um luar,
e perpétuando eternamento o momento.


E voa sonhando, um dia, ser uma estrela,
num céu feliz e doce, e iluminar a escuridão.
Tudo o que, é doloroso, e carrega dentro dela
se desvanece e termina ao espalhar-se pelo chão.


Gota de chuva, resto de temporal,
no mar, imenso, do teu, meu, olhar.
Se mais perto mais longe fica o mal,
e uma gota também e saber amar.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Uma Lição

Em cada lágrima que desagua no mundo,
aprendes que o mundo é injusto e agreste,
e que o doer por mais que seja profundo,
existe porque, exististe, amaste e estiveste.


Em cada noite sem sono, ou com ele por vir,
aprendes que a vida por vezes é dura e má,
e que sempre que te esforces por sorrir,
ela te ajudará a sorrir e a ser feliz por cá.


Eu queria roubar-te um raio de luz,
só para poder brilhar como tu consegues,
Planar com a leveza do sorriso que seduz,
e aprender a ser feliz como me pedes.


Em cada momento guardado na alma,
aprendes que ser de alguém é ser feliz,
e que por mais vezes que percas a calma,
ela volta sempre, sempre quando sorris.


Em cada espaço de vida, desta que não desejo,
aprendes que amar e ser amado e algo raro,
e que a felicidade que vem dentro de cada beijo,
é tão imensa que o torna no bem mais caro.


Eu queria roubar-te um raio de luz,
só para poder brilhar como tu consegues,
planar com a leveza do sorriso que seduz,
e aprender a ser feliz como me pedes.

Em cada sentimento de saudade presa no peito,
aprendes que um segundo no amor verdadeiro,
é infinitamente mais tempo que uma vida sujeito
á solidão de, uma vida não vivida por inteiro.

Em cada lição de amor que fores capaz de ouvir,
aprendes que a vida é boa quando tu a vês assim,
e que um carinho é tão bom de receber e sentir,
que guardo todos os que tenho para ti em mim.

Eu queria roubar-te um raio de luz,
só para poder brilhar como tu consegues,
Planar com a leveza do sorriso que seduz,
e aprender a ser feliz como me pedes.

domingo, 2 de novembro de 2008

Se pelo menos...



Se pelo menos...
Eu conseguisse e te pudesse falar,
dizer-te tudo o trago preso na garganta,
falar-te de tudo o que me encanta.


Se pelo menos...
Tu me ouvisses e quisesses partilhar,
falasses de ti, de mim, de tudo e do amar,
e por fim nos pudéssemos abraçar.


Se pelo menos...
Eu tivesse como e tu quisesses de verdade,
se a estrada se encurtasse numa cidade,
e se os momentos fossem sempre de sinceridade.


Se pelo menos...
A verdade não fosse mentira,
o teu olhar não me visse com ira,
e partilhasses o ar que se inspira.


Se pelo menos existisses, amor,
fosses, luz, cor e verdade sentida,
Fosses o abraço doce confortador.
Se fosse assim... então havia vida.

Horizonte



Perguntas... Mas foi sempre assim?
Sabes, um dia sonhei, cantei e sorri,
tudo o que um dia era bom em mim,
partiu num dia, para sempre, me perdi.


Sabes, os sonhos são feitos,
daquela matéria inexistente,
e quando são simples e perfeitos,
dão-nos felicidade permanente.


O ar que respiras, mais não é,
que um sonho perfeito de vida.
Só alcanças um destino pelo teu pé,
e só lá verás a felicidade devolvida.


E o olhar, pelo qual vês o mal e o bem,
na verdade é apenas uma conjugação,
de verdades evidentes que o mundo tem,
e que te fazem bater forte o coração.


O cheiro, do sabor que o tacto te dá,
ajudam a esboçar o amor quando sorris.
E se o destino se esconde quando vais lá,
é apenas porque viver é saber ser feliz.


Perguntas... Mas foi sempre assim?
Sabes, um dia sonhei, cantei e sorri,
tudo o que um dia era bom em mim,
partiu num dia, para sempre, me perdi.

sábado, 1 de novembro de 2008

15 minutos


Dá-me quinze minutos do teu tempo,
abraça-me, só tu me sabes acalmar,
dá-me o teu ombro, so um momento,
deixa-me sentir-te, calado, e chorar.


Sem saber porquê, ou porque não,
sem entender ou conseguir explicar,
só queria poder sentir a tua mão,
porque só tu me podes ajudar.


Penso que nada merece tudo isto,
que tudo e tanto mecia outra sorte.
A minha alma confusa é um misto,
de dor, mágoa, ignorância e morte.

Estrela Tatuada

Por ti, pintei uma estrela, maravilhosa,
fi-lo no meu corpo, do lado do coração,
quis que fosse eterna apesar de dolorosa,
que quando a olhasse o fizesse com emoção.


Fi-lo e refazia-a mil vezes mais, com sentimento,
porque a dor é bem menor que a desta carência,
e no meu corpo irás ficar em cada doce momento,
olhando-a minimizo a saudade da tua ausência.


Conhecedo-me, sabes que o fiz com a maior paixão
Só o mais importante fica para sempre em mim,
és priveligiada e tatuei-te também no meu coração,
e essa tatuagem, nem que morra irá ter alguma vez fim.

Tocar da porta


cada segundo, um milénio que subsiste,
na ausência de doce palavra e gesto,
e se o sol que vem todos os dias existe,
porque não se acalma o meu protesto.


Um pedido de ajuda, por uma mão vazia,
por um olhar surdo e voz muda de gritar.
Um pedido que não se ouve, nem o queria,
mas que existe e insiste em seapresentar.


E não o ouves, finges que não o vês,
mentes, desejando-o e dizendo não.
Foges sem querer saber os porquês,
recusas a quem quer dar-te a mão.


Olho o telefone, parado, com insistência.
À espera da cura que tarda em chegar,
do tocar da porta que traga o fim da ausência,
do abraço que, feliz por fim, me faça chorar.


Mas não, retarda, e a solidão é cada vez mais dura.
se viesse já tinha chegado onde sabe que estou.
Para fazer valer uma lágrima de felicidade pura,
para dizer que vale tudo por quem um dia se amou.

Véu



Mais uma noite, fria, sem aconchego.
È tarde e o sono não veio, não chegou.
È cedo, manhã, e o ansiado doce sossêgo,
parte dizendo que esta noite já acabou.


Em sonhos, gestos perdidos, vejo saudade,
na mistura da lua com a chuva e o vento,
sinto a agre e cara conta da infelicidade,
por cada lacerado e esquecido momento.


Ninguém, neste mundo pode tudo sentir,
tudo querer, tudo sonhar, pintar e desejar,
e depois dizer que afinal estava a mentir,
que tudo o prometido era uma Não Amar.


Todos menos tu, que pintas bonito o céu,
que fazes o inverno ser doce e ter calor,
que te escondes atrás desse teu opaco véu,
Podem dizer que nunca foi verdadeiro amor.


E tudo se defaz, se dissolve, nunca mais.
E se a vida nos leva para distante de nós,
Eu recuso,sim, desejo que sejamos iguais,
porque o amor nunca é feito a uma só voz.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

As minhas noites


É sempre desta hora até ao acordar
que mais dilacera e mói, arde e dói.
Como se a noite que eu soube amar,
pelo passado, me desse o que corrói.


Está frio, o corpo saindo ao inverno,
está escuro, o olhar ofuscado pela luz,
deixo a alma entregue neste inferno,
de não ter um sonho que me seduz.


Ingrata e injusta pelo que me dá
noite pérfida, que não sei apreciar.
Umas ali, outras além, ou hoje cá,
de nada sabe o que tenho para cear.


Só escrevo e apago infinitamente,
parece que nada se conjuga mais.
Adormeço cansado lentamente,
só, vagueio em sonhos irreais.


Acordo, iludido, procurando sem sentir,
não encontro companhia neste frio leito,
olho o vazio, e choro, onde queria sorrir
por te ver a dormir ao cobrir o teu peito.


Este gesto que repito pela noite fora,
que era automático e hoje demora,
leva-me ao, cada vez mais frio, acordar,
por não ter a meu lado quem queira amar.

Fim do dia

Sinto a pulsação, ... ora fraca... ora forte,
Como se em cada noite fossem revelados
os fantasmas do dia e a sua pobre sorte
de serem, em cada segundo, mal amados.


Sinto bater como se ritmo de música fosse,
como se variasse de som frenético a lento,
uma vezes amargo, outras mel, ou agri-doce,
como se fosse parar a qualquer momento.


Não, não me sinto bem e não me sinto mal,
se uma vezes fico a lembrar o doce pairar,
outras fico com uma fingida inércia mental,
e por fim choro, só sem ter quem abraçar.


E assim passo , horas de ir tarde sem ser tarde,
oiço, no vazio, o som cheio, que vagueia em mim.
Arrefeço a dor que ficou do fogo que não arde,
e penso... mais um dia que chegou ao fim.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O mais doce amanhecer

Vagueaste, hoje, no meu sonho agitado.
Leve, como uma brisa na praia ao luar,
embrulhados num cobertor enrugado,
que aquecia o sonho imenso do nosso amar.


E dançavas, parada, partilhando o amanhecer,
onde sol nascia e a lua parecia querer dormir,
o mar e o rio misturavam-se sem se perceber,
e ao frio, abraçados, o calor fazía-nos sorrir.


Sonho de noite escura, pintada em tons claros,
sentados sonhávamos com o futuro que sorria,
partilhávamos segredos e gestos de amor raros,
naquele amanhecer bonito dessa saudosa baía.


Os barcos na faina, brilhavam como estrelas,
As ténues ondas cantavam para nos embalar.
A areia, o nosso ninho, tornava as palavras belas,
e as gaivotas planavam paradas no meu sonhar.


Fizemos juras e promessas, no sonho interrompido.
Desatámos o desejo, doce, preso na luz daquele luar.
Com estrelas formámos frases naquele momento querido,
È incomparável o sonho agitado de te ter e te amar.

Alma de Verdade

É amargo o sabor, do saber e sentir, da incapacidade.
Deixa-nos estarrecidos pela falta de compreensão.
E tudo o que se esvanece com o avanço da idade,
jamais sarará na ferida aberta e profunda no coração.

Porque, sem uma explicação, se vão palavras e gestos
em ventos de egoísmo, como se nada valesse a pena?
Talvez porque a alma só viva nos sonhadores lestos,
para quem a vida é amor e a felicidade sempre pequena.

Alma de verdade, pura, limpa, sincera, nunca emudecida.
Poderei até, um dia no fim da peça, calar-me e morrer,
mas levarei comigo a verdade de quem viveu numa vida,
a sinceridade de falar quando isso podia fazer perder.

E em verdade, limpa, rasgarei todos os mares impetuosos,
da doce ilusão da mentira, do calar, do partir sem explicar.
Pintarei no vazio, com sombras de nuvens e raios de luz saudosos
tudo o que para mim é o verdadeiro, puro e sincero amar.


"Sê descuidado no traje, se quiseres, mas conserva limpa a alma."
( Mark Twain )

Solidão

"Todo o inferno está contido nesta única palavra: solidão. "
(Victor Hugo)

Assim é... assim foi e até quando será?
Descendo a escadaria da ilusão inversa,
penso onde irei chegar, onde me levará
esta descida árdua, triste e perversa.
Ás vezes sem querer, Muitas sem perceber,
vou descendo porque se o céu é lá em cima,
o inferno fica lá em baixo onde tudo deve arder,
onde até um gesto, um olhar, esse fogo dizima.
Sigo só, degrau a degrau, desamparado.
Sem ter asas, palavras, mas levo a imagem.
Com fome de ter companhia para dormir descansado,
sigo, lastimoso, a minha derradeira viagem.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Música esse som iluminado do amor


A pedido da minha amiga Ana Fernandes


Este som que me dás, um doce silêncio de amor,
Vem embalar-me, encantar-me com a sua luz,
Brilhante, suave, carinhoso e de terno odor,
Para mim… fundamental e que me seduz.


Espero que esteja do teu agrado e que lhes dês a finalidade que achares por bem. Desulpa não estar muito inspirado...


sábado, 30 de agosto de 2008

Brisa Envolvente

Olho o teu sorriso, como quem vê a luz do sol,
insipiro, expiro, inspiro-me no teu olhar.
Passo horas a ouvir-te, a sentir-te, a sorrir-te,
sem te ver, mas a olhar-te e a sentir o teu tocar.


São assim os meus dias e as minhas noites,
todos os meus sonhos, acordado ou a dormir.
A saudade existe, não pela tua simples ausência,
mas porque um dia estivémos juntos, a sorrir.


Brisa que me envolves, e me arrepias
Estrela, minha, que me levas e guias.
Olhar distante mas sempre presente
em que recordo a doçura quando sorrias.


É à noite quando tudo fica calado e escuro,
que arde muito mais e se inunda o olhar.
Fecho os olhos, enxugo a cara e penso o futuro
e espero o teu voltar... o teu verdadeiro amar.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Daltónico

Sim, eu sei que, por impulso, sou daltónico
vejo,muitas vezes, esta vida que é verde
negra e intranquila, em formato cónico
onde que se ganha é menos que o que se perde.


Olho o céu, e por mais azul que esteja
insisto no erro de pintá-lo de cinzento.
E no fim de cada dia já nada mais sobeja
porque erradamente não vivi o momento.


Mas há sempre uma hora de ver as cores
vivas e todas como elas realmente são.
È o momento em que trocamos amores,
em que partilhamos o nosso coração.


É essa a verdadeira cura do meu daltonismo,
contrariando a lei médica um dia sentenciada.
A minha doença não padece de algum sofismo,
fica boa porque na vida se sente acarinhada.

terça-feira, 29 de julho de 2008

O meu mar

É o mar, aqui à minha frente,
Que me diz que ainda existo,
Que se mostra sempre quente,
E que a ele, feliz, nunca resisto.

Este mar, doce, que me abraça,
Salgado, suave e sempre belo.
Que ao seu olhar me embaraça,
E, sem falhar, derrete todo o gelo.

O mar de verdade que se revela
Sincero e sem máscaras, a nu.
Um mar que te simboliza bela,
Um mar que afinal… És TU.

Um mar calmo, feliz e arisco,
Que envolve e me deixa viver,
Um mar por quem me arrisco,
A ser feliz por todo o seu Ser.

Este mar que me adoça a vida,
Que leva ao céu sem daqui sair,
Um mar que acalma a dor sofrida,
E que de novo, longe, me faz sorrir

O mar de verdade que se revela
Sincero e sem máscaras, a nu.
Um mar que te simboliza bela,
Um mar que afinal… És TU.


21 de Julho de 2008 – Benidorm – 15:34

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Mentir a Sorrir

Tentei esquecer, juro que o fiz com vontade.
Mas guiado pela cabeça o coração não obedece,
e ainda que sinta tudo com a máxima verdade,
o meu sol está doente e frio e raramente aparece.


Oiço a voz que me faz sonhar, de noite e acordado,
não como, não durmo, não consigo parar de chorar,
oiço as mesma música que embalam este meu fado,
porque é impossível deixar de te querer e amar.


E sei, que o teu não, é um sim triste e reprimido,
a tua recusa, negação e falta de vontade de ser feliz,
tentas disfarçar nesse teu ar resoluto e assumido,
e não dizes com o olhar o que dizes mentindo quando sorris.


E sei que não é feliz, nem nunca poderás ser vivendo uma mentira,
posso até não ser a tua felicidade, não ser o ideal, mas sou assim,
E correndo o risco, de em mágoa um dia sofrer por toda a tua ira,
Espero a mafaldada hora em que irei falar de tudo o que vai em mim.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Apesar de Tudo

Apesar de Tudo, foi bom...
Ter-te ouvido dizer que eras minha,
quando feliz acordavas a meu lado.
Ter tido contigo muito do que a vida tinha,
mesmo quando dizias ser tudo errado.


Apesar de tudo, foi bom...
Ter sentido que era teu, só teu.
Ter tido um sorriso único, um Tesouro.
Ter nesse olhar visto tudo o que foi meu,
ter tido em ti Sonho muito mais que Ouro.


Apesar de tudo, foi bom...
Ter aprendido contigo o que era amar.
Ter partilhado segredos, planos e projectos.
Ter contigo prazer em viver e passear.
Ter contigo símbolos em músicas e objectos.


Apesar de tudo, foi bom...
Ter pensado em ti em cada segundo dos dias.
Ter sonhado, de noite, contigo em cada segundo.
Ter estado, sido o que fui, porque sentia o que dizias.
Ter sido, o que também me foste, o meu pequeno Mundo.


Apesar de tudo, foi maravilhoso
Ter sorrido e vivido sempre o melhor dos dias.
Ter sentido e dado o melhor das noites, em momentos.
Ter para ti cantado, escrito, sonhado enquanto sorrias.
Ter sentido que o nosso amor gerava brisas e ventos.

Errante


Não sei se vais ler o que escrevo,
também nunca escrevi para o leres,
fazia por mim, porque acho que devo,
fazia-o para serem melhor os adormeceres.


Mas hoje, como ontem, já nada faz sentido.
O sol já não vem mostrar o que sei de cór.
E apesar de me sentir enganado e traído,
eu sei, trocámos o que tínhamos de melhor.


E foi sempre tudo sincero, verdadeiro e puro,
foi sentido, enorme e para sempre marcante.
Fazer amor contigo, sonhar ter contigo um futuro,
e tudo desabar e ver que era um sonho errante.


Fui obrigado a ler, de olhos tristes e afogados,
O que, a alguém, deve ter dado imenso prazer.
Tomaste a tua opção, fizeste a escolha em ira.
Mas o erro não sou eu, e só depois irás entender.


Depois, nem um desculpa disseste, acabou num "Adeus".
Poderá ser tarde, ou ainda a tempo talvez, se um dia te vir.
Talvez um dia os meus sonhos possam ser de novo os Teus,
e então possamos de novo, na praia abraçados, voltar a sorrir.