sexta-feira, 17 de julho de 2009

Vida de Amizade

Se pudesse dava-te um sorriso,
Ou talvez um sonho doce e feliz.
Se pudesse, hoje seria conciso,
a oferecer tudo por quanto sorris.


Eu sei que sou o ser mais errante,
sei até que sou a maior imperfeição,
mas sempre soube perdoar, errante,
uma mão de anos de dor de coração.


Mas errei, fiz o pior, eu sei que sim,
tive uma atitude, ser feliz eu queria,
e hoje, até a amizade chegou ao fim,
acredita, por isto, morrer preferia.


Mas tu és diferente, és soberana,
deves ter toda a razão do mundo,
o perfume do saber de ti emana,
e achas que ser sincero é imundo.


Para ti perdoar é irracional e insensato,
é um sentimento que nunca conheces,
e por mais que queira mostrar o exacto,
tu jamais ouves as minhas perdidas preces.


Porque perdoar uma vez, para ti é muito doer,
mas eu, mentiras e inércias, perdoei centenas,
Mas o erro sou eu e nunca tu ou os teus amigos,
nunca tu e as mentiras que na alma encenas.


A ti te digo, porque gosto de ti e tu sabes que sim.
Perdoar é nobre e um sentimento dos puros,
tal como a atitude e sinceridade que vence no fim
e que torna os fracos em seres enormes e duros.


Mas tu do alto do teu altar, imaginas-te o novo messias,
Tu achas ser mais que tudo e todos na tua vida sem vontade.
Acredita que se pesares erras muito mais que o que previas,
e um dia pagarás bem caro a tua falta de perdão e de verdade.


Mas hoje, se pudesse, dava-te um sorriso,
Porque sou teu amigo mesmo não te vendo.
Porque um amigo é o sempre que for preciso,
e a amizade é infinita, não acaba nem morrendo.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Lei Divina

Flutuando na espuma das palavras,
em busca de um porto de abrigo,
avivando o fogo que teima em gelar,
cobrindo o sol que parece fumegar.


Rasgando as leis que mandam partir,
tocam discos além do infinito fim,
ouvindo em silêncio a alma a sorrir,
como se ainda agora fosse assim.


Um só dia perdido na noite vazia,
promessas são vãs e cheias de nada.
Mas é ordem dos deuses o olhar ter som,
a Nossa loucura é muito mais que um dom


Vamos nadando em fumos ofegantes,
quebrando laços nunca nascidos,
acordando de sonos inquietos e delirantes,
e olhares que nunca foram oferecidos.


Entre o sol e o mar,
lá longe onde se tocam,
existe uma lei no ar,
que os deuses invocam.


Ès um sonho, um verdadeiro tesouro,
fazes parar o mundo com o teu sorriso.
E se hoje era tarde amanhã já o foi ontem,
porque viver é amar e sorrir é o que preciso.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Amargo sabor


Queria poder ser tu em mim,
ou então ser apenas um sim.
Ser recta curva em pensamento,
ser fumo na água em tormento.
Ser esquema de fuga da liberdade,
ser tão velho que não soubesse a idade.
Poder estar perto e pegar-te com o olhar,
com ternura e carinho poder-te abraçar.
Queria ser o teu desejo, vontade e amor,
proteger-te e ser sempre o teu calor.
Quem sabe ser um sem-fim a girar
nunca saber se o fim vou alcançar.
Até mesmo ser, sem trabalho, a morte,
ou apenas, uma vez, ter um pouco de sorte.
Mas sou eu, apenas um erro imperfeito,
onde o que havia a fazer há muito foi feito.


Quem me dera poder e conseguir acreditar,
que o amor puro existe sempre ao chegar,
que a felicidade é doce e se pode alcançar,
que uma lágrima pode não ser chorar.
Mas a vida é madraste jamais te ajudará,
por mais que te doa ela jamais te curará.
Talvez por não seres um desses especiais,
ou não teres tudo o que têm os demais.
Mesmo que conseguisses ser luz na escuridão,
nunca iluminarias longe como vês na ilusão,
talvez por ser apenas uma miragem só tua,
ou estranha sensação de estar só na rua,
ou de sentir uma aquela enorme solidão
quando estás no centro da imensa multidão.
Ou simplesmente por seres apenas tu,
que vestido te sentes sempre muito nu.


Eu sei, que falo para mim,
Mas sei que falo por mim.
Não sonhei poder ficar assim,
não quis que fosse este o fim.
Juro que só queria se feliz,
ser como eles e tu quando sorris,
ser céu em tons leves de anis,
e nunca cair nestes ardis.

Pensar em ti

Sim, é para ti que escrevo estas linhas,
só tu sabias como me fazer sentir feliz,
sabias sorrir com alegrias tuas e minhas,
e hoje, que artimanhas usas quando sorris?


Sim, é a pensar em ti que em água me desfaço,
que vou perdendo em mim tudo o que era bom,
que tenho vontade de não ser eu, nem o que faço,
que grito alto a dor que jamais terá algum som.


É de lamentação cada palavra que ainda me sai,
é de dôr cada lágrima que dos meus olhos cai,
é com mágoa que sonho poder ser contigo, pai,
é de solidão na ausência que vem e nunca vai.


Era bom poder parar o mundo e gritar alto
era único sermos ambos apenas um, Amor.
O abismo cresce e não chego ao fim do salto,
para terminar toda esta imensa e árdua dor.


Talvez pudesse partir sem destino,
levar comigo toda a minha história,
se de novo, feliz como um menino,
que consegue a sua primeira vitória.


Talvez, o meu anjo, me pudesse levar,
talvez adormecer e não mais acordar,
talvez apenas enlouquecer só ao luar,
ou voltares para eternamente te amar.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Esboço


Voltas redondas em espaço recto,
onde o claro tem uma luz escura.
Lados errados onde tudo é correcto,
onde tudo é fugaz e a demora perdura.


Turvas as águas claras e transparentes,
agitas o calor no frio da tua ausência,
crescem em ti sentimentos doentes,
e vives feliz na tua saudável demência.


Danças a música esquecida, insonora,
esqueces o som do sorriso doce e puro.
Pintas a diluente um olhar que chora,
e a cor-de-rosa a dôr que não curo.


Talvez sejas herói, ou heroína sem sexo,
ou apenas demagogia que age sem nexo.
Tentas mostrar aquilo que não sabes ser,
e hoje, diz a verdade, um sorriso faz doer.


Espaço vazio, cheio de tudo o que não diz nada,
mãos molhadas do suór de nada fazer na vida.
E tiras a casca, máscara inútil que te enfada,
negas tudo numa noite que já te foi querida.


Arranhas a voz, num grito mudo para surdos,
o doce que adoras é, hoje, insípido e amargo,
e o mar salgado, hoje tem sabores absurdos,
julgas aos teus pés barcos que andam ao largo.


Acorda talvez ainda vás a tempo, respira fundo,
faz um gesto ou sinal, uma palavra mesmo escrita,
tu só sabes ser tu, tu só sabes o que é ser mundo,
lembra que uma lágrima, pode não ser bonita.


Talvez sejas herói, ou heroína sem sexo,
ou apenas demagogia que age sem nexo.
Tentas mostrar aquilo que não sabes ser,
e hoje, diz a verdade, um sorriso faz doer.

sábado, 27 de junho de 2009

Liberdade

Se a felicidade é o objectivo de uma vida,
se a verdade, o que somos, é um estandarte,
se nos levantamos contra a injustiça sofrida.
Então a nossa alma é uma obra de arte.


Se lutamos, contra a hipocrisia, incansavélmente,
se, mesmo sofrendo, somos verdade e liberdade,
se a paixão de viver é igual ao amor que se sente,
então façamos crescer, em nós, esta humanidade.


Vem se és verdade,
não importa a idade,
faz crescer esta cidade,
crê nesta cumplicidade.
Porque eles podem tirar-nos a Vida...
Mas jamais nos roubarão a Liberdade.



(inspirado na minha postura, no meu ser e estar e no filme Brave Heart)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Alma Laranja

Eu, só te quis salvar a alma,
mostrar que a alma é verdade,
que de noite reina a calma,
no rebuliço louco da cidade.


Sentimento, doce, bom e laranja,
A minha alma de bem comigo,
um anjo novo que se arranja,
um alguém que é teu amigo.


Fi-lo por ti, porque és como eu,
mas fi-lo também por mim,
Fi-lo porque, sim isto é o céu,
porque o bem nunca tem fim.


Porém, tenho medo que contigo,
o fim, volte a não ser diferente.
Porque num dia sou um amigo,
no outro de mim foge toda a gente.


Mas a verdade é que fiz o que podia,
fiz sem querer sequer um obrigado,
Mas fiz e sou feliz porque um dia,
o teu sorriso ficou enorme e rasgado.

É Noite

Um anjo, doce, levou-me a voar
seguro num abraço bem apertado.
Deixámos o horizonte se apartar
numa lágrima, lamento guardado.


Um certo, errado que me prende,
livre num sorriso de choro sentido.
Medo inútil que não se compreende,
mas é melhor assim do que ter fugido.


Chove lá fora, no interior do meu corpo,
preso continuo com a mágoa no coração.
Na rua, nada importa, tudo é torto,
e sem fumo talvez se veja a emoção.


É noite, são horas de rumar ao luar,
perder na noite, no escuro, as imagens.
Talvez até, voltar ao negro do chorar,
quem sabe olhar de novo as mensagens.


E se é dor o carinho que dou,
se é mágoa a alma que sou.
Morre a vontade de viver,
morre a alma e o próprio ser.

domingo, 21 de junho de 2009

Discurso do olhar

Consegues, no silêncio, ouvir o meu olhar?
Escuta, ouve a doçura com que fala de ti,
sente o perfume que emana o doce amar,
e que cresce sempre que tua alma sorri.


Consegues ler o meu lábios, tesourinho?
Palavras simples e com tanto significado.
Sei que as sabes de cór, ditas baixinho,
sussurando ao ouvido o sonho alcançado.


E sabes que tudo isto me faz sorrir, amor?
Um sorriso de vida e verdadeira felicidade,
Sabes tão bem o sabor do sorriso e a sua cor,
e sabes que nunca se perderá com a idade.

domingo, 14 de junho de 2009

Dá-me o teu olhar...

Dá-me o teu doce olhar,
deixa-me sentir o sorriso,
antes de a luz se apagar.
É tudo o que mais preciso.


Deixa-me ver quais as cores,
com que pintas o pensamento,
como escondes todas as dores
que atestam o doloroso lamento.


Deixa ver como fazes as curvas
serem rectas simples e perfeitas,
deixa-me saber porque turvas
os sonhos sempre que te deitas.


Deixa que sinta tudo isto em mim,
antes que a luz se vá, em mim, de vez.
Deixa sentir tudo antes do fim,
deixa-me perceber os porquês.


Aqui faz frio, que sinto no meu olhar,
um frio molhado nos olhos e alma,
um lento morrer nos olhos a naufragar,
um grito mudo que silencia e minha calma.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Grito da Verdade

Enquanto houve sorrisos,
ainda que mesmo forçados,
enquanto eu te dei os precisos,
tu deste gestos educados.


Enquanto eu tive para dar,
sem nada de volta querer,
tu soubeste sempre agradar,
soubeste um sorriso oferecer.


Enquanto andei a sabor do vento,
bailando em sorriso de mentira,
souberam me dar o momento,
souberam controlar a minha ira.


Mas um dia a alma acordou,
quis ter uma personalidade,
quis ser sentimento e gritou,
o grito da sua verdade.


E nesse dia, uns fugiram,
outros iniciaram a rebelião,
outros ainda mentiram,
palavras sem coração.


Porque amigos podem não te fazer rir quando não estás triste,
mas far-te-ão sorrir quando sentires que a dor e tristeza existe.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Abre a tua mão

Abre, generosa, a tua mão,
quero apenas e só a ti dar,
o meu muito ferido coração,
para que o possas guardar.
Por favor não digas que não,
sabes que só a ti o posso confiar.


Vivemos em mundos diferentes,
apesar de sermos carne igual,
seguimos rumos divergentes,
saímos ambos da vida mal.


Talvez por seres mais que eu,
ou sentires menos do que sinto.
Talvez apenas por sonhares menos,
muito menos que o que sonho e pinto.


Mas foste, vives em outro mundo,
numa baía perdida de noite ao luar
ou num mar longínquo e profundo,
num banco, um muro a naufragar.


Abre, generosa, a tua mão,
quero apenas e só a ti dar,
o meu muito ferido coração,
para que o possas guardar.
Por favor não digas que não,
sabes que só a ti o posso confiar.


E vocês que se acham supremos,
não vêm como erram na vida?
Dizem menos que queremos,
aprofundam sempre mais a ferida.


Nem em sonhos imaginam o doer,
o chorar que provacam em cada olhar.
Talvez achem que são a razão e o viver,
e que cada um vos tem de adorar.


Talvez por serem mais que eu,
ou sentirem menos do que sinto.
Talvez apenas por sonharem menos,
muito menos que o que sonho e pinto.


Abre, generosa, a tua mão,
quero apenas e só a ti dar,
o meu muito ferido coração,
para que o possas guardar.
Por favor não digas que não,
sabes que só a ti o posso confiar.


Até tu em quem confiei a vida cegamente,
foste capaz de fazer ruir este nosso castelo,
e continuas certo que és verdade erradamente,
que tudo o que fazes e bom, supremo e belo.


Atenta nas palavras que professas,
que dizes ler intimamente no teu ser,
por uma vez abre-te e diz que confessas,
o teu errar, o teu vitorioso perder.


Talvez por seres mais que eu,
ou sentires menos do que sinto.
Talvez apenas por sonhares menos,
muito menos que o que sonho e pinto.

Abre, generosa, a tua mão,
quero apenas e só a ti dar,
o meu muito ferido coração,
para que o possas guardar.
Por favor não digas que não,
sabes que só a ti o posso confiar.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Monólogo

Queres ficar, mas não vês como a espera dói,
por entre esquecimentos que queres lembrar,
para não te doer o olhar triste que mata e mói,
enquanto se rasga um louco presente a acabar.


Prendes o fumo entre beijos em cigarros acesos,
que te trazem sons, imagens e doces perfumes,
caricías suave nos teus rebeldes cabelos presos,
que vais fazendo e reacendendo antigos lumes.


E lá fora a noite é escura, já não há luar,
é frio, agreste o jantar que comes a sós,
tão frio que te faz suar ou talvez chorar
conversando só, com a tua monótona voz,


vês cada segundo passar na brisa que não corre,
parado no espaço, no tempo, na tua memória,
imagens, palavras do tempo que nunca morre,
de um luar que jamais abandonará a tua história.


É frio o quente de outrora,
é amargo o doce que sentes,
vai doer mas já não demora,
a saudade que ainda mentes.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Senil

Para que serve ter todo o tempo do mundo,
se o desejo se revela apenas em um segundo.
Para quê desejar toda a água que há no mar,
se a vontade só quer um canto para aguardar.
De que serve almas a fazer juras de amor,
se a humanidade desse sentimento sente pudor.


Já sei, quero ficar senil, louco,
quero ter aquele olhar vazio,
quero ser menos um a contar.
Ser feliz mesmo com muito pouco,
nunca sentir este amargo frio,
e nunca, jamais voltar a chorar.


Eu só por mim, gostava apenas de te ter,
de sentir como é doce o teu feitio de mulher.
Poder perder-me no teu olhar distante e louco,
sentir-me feliz por na vida ter tão pouco.
Poder sorrir, acordado, durante a noite escura,
por te ver dormir, a meu lado, tão segura.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

No meio da multidão

E de repente, ali estava eu,
ao centro no meio da multidão,
num palco, isolado, só meu,
onde era o centro da atenção.


Todos me olhavam, ansiosamente esperando,
que uma palavra, qualquer, se soltasse em mim,
mas mudo, cego e imóvel, soltei... brando...
A palavra que termina tudo... Disse chegámos ao Fim.


É estranho sentir uma imensa solidão,
vontade de chorar em dia que é de festa,
mesmo quando estamos no meio da multidão,
e as lágrimas são a expressão do que nos resta.

Aquela Musica


Hoje não me apetece passear o cão,
quero ficar aqui ao escuro, nesta sala.
Quero ouvir aquela musica com emoção,
quero sorrir feliz, e contigo cantá-la.


Vou dançar, nos teus braços, a noite inteira,
vou escolher outra música daquelas nossas,
vou ficar louco e entrar na nossa brincadeira,
vou ficar assim até que queiras e possas.


Vamos rodopiar em passos estranhos,
inventar coreografias só para nós os dois.
Vamos trocar os negros para castanhos,
seremos um para o outro, imortais, heróis.


MAs quando vir a mim, saindo do meu céu,
quando o sono, doce, leve me atraiçoar,
tirando-me do sonho que é, pelo menos, meu...
Então, vou fechar os olhos e acredita...hei-de chorar.

Partida da vida...

Quero dizer que te amo,
que és o meu único poema.
Mas sempre que te chamo,
surge esta dor suprema.


Arranho a pele, misturando sentimentos,
inundam-se os olhos, vem o desespero.
Fecho os olhos e vejo-me por momentos,
a pairar, planando sem as asas que quero.


E vem de novo todas as imagens da vida,
as boas e más que me confundem a alma.
Vem toda a alegria que sempre foi querida,
vem esta raiva que me extingue a calma.


Quero dizer que te amo,
que és o meu único poema.
Mas sempre que te chamo,
surge esta dor suprema.


Bate forte o coração, descompassado,
os olhos já navegam na sua nascente,
os cabelos é entre os dedos puxado,
porque hoje até a verdade já mente.


Salto no ar, caindo no abismo sem rede,
solto um grito mudo que ninguém sente.
Vem o sorriso de que ainda tenho sede,
vem a imagem de quem magoa e mente.


Quero dizer que te amo,
que és o meu único poema.
Mas sempre que te chamo,
surge esta dor suprema.


E ainda que tudo seja um estúpida ilusão,
mesmo que ingénuamente queira acreditar,
hoje já não há, ninguém sente, o coração,
já é tarde, o comboio partiu, não dá para voltar.


Quero dizer que te amo,
que és o meu único poema.
Mas sempre que te chamo,
surge esta dor suprema.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Suspirinhos de Felicidade

É este ar fresco matinal no rosto ensonado,
brisa marinha, intensa, perfumada a orvalho,
o simples querer de um ser triste e cansado,
que tantas vezes tem por companhia o trabalho.


Pode até ser apenas a ilusão de um bem querer,
ou até um sonho que não se quer mais acordar,
seja o que for, porque o destino o manda fazer,
quero senti-lo em mim e poder voltar a sonhar.


Suspirinhos de felicidade,
doce sorriso que faz sonhar,
alegria que carrega a saudade
da vontade de querer acordar.


Antagonia irónica entre o dentro e o fora na alma,
ou mesmo o desejo, preso e reprimido de um grito.
A certeza da dúvida que nem assim abala a calma
de um coração que para ser feliz luta ferido e aflito.


Ainda que carregue no seu íntimo mais secreto,
toda uma vida em mágoa, de um triste não saber,
lança, por fora, suspirinho de um amor discreto,
lança por dentro, em festa, todo o seu bem querer.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O momento... O Mundo Parou

Anda... Vem... Nem por um segundo hesites
Quero sentir, no meu pescoço, o teu respirar,
arrepiar-me ao senti-lo por sentir que existes,
e de olhos fechados sentir o mundo a parar.


Sinto o toque suave, da tua pele. no meu rosto,
sinto o perfume do teu cabelo a envolver-me,
sinto que sentes em mim este enorme fogo posto,
que é desejo e um amor enorme a prender-me.


Chegas com os teus lábios finos em felicidade,
onde saiem as palavras doces que sei para ti,
digo-as todas sempre puras e na maior verdade,
porque sou assim para ti em tudo o que já senti.


E beijas-me, loucamente, como se fosse já amanhã
o fim do mundo e tudo terminasse naquele segundo.
Deixas-me sem norte, baralhado numa doença sã,
em desejo, em delirío em amor enorme e profundo.


E assim, quase sem me tocar, levas-me à loucura,
desatas o desejo e com palavras ditas em surdina,
fazes-me voar maus alto e ficar a pairar em ternura,
abraçado a ti e ao teu sorriso terno e doce de menina.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Terra do Nunca

Bem vindo à minha casa,
ao meu espaço ilimitado,
onde o silêncio me arrasa,
e tudo está sempre inacabado.


Aqui o sorriso não tem perfume,
o olhar jamais consegue horizonte,
a lenha nunca se consome em lume,
e a água já não cai da mesma fonte.


A luz, é sombria, fraca e triste,
o calor é frio e húmido e cortante,
aqui jaz a vontade que ainda resiste,
de um imenso sonho sempre distante.


Sê, a esta Terra do Nunca, Bem Vindo,
Aqui onde não há árvores nem florestas.
Acomoda-te neste espaço antes lindo,
onde agora até os círculos têm arestas.


Bem vindo ao espaço que é utopia,
sendo a maior de toda a verdade.
Aqui, onde antes reinou a alegria,
vive solidão que já nem sabe a idade.


As cores já não têm nenhum vigor,
as imagens estas sêcas e gastas.
Nesta sala onde um dia se fez calor,
hoje correm ventanias madrastas.


Pelos corredores cheios de passos perdidos,
ainda vagueiam vultos sem alma nem rosto.
Aqui perdem-se sonhos por outros esquecidos,
e nada jamais se fará com o mesmo gosto.


Sê, a esta Terra do Nunca, Bem Vindo,
Aqui onde não há árvores nem florestas.
Acomoda-te neste espaço antes lindo,
onde agora até os círculos têm arestas.


Talvez alguém se lembre e traga um dia,
a vontade desvairada de voltar sorrir.
O bater na porta e ao abrir que sorria,
para depois todas a minhas janelas abrir.


Sê, a esta Terra do Nunca, Bem Vindo,
Aqui onde não há árvores nem florestas.
Acomoda-te neste espaço antes lindo,
onde agora até os círculos têm arestas.