
E assim segui pelo caminho de ferro,
de olhar, amargurado cabisbaixo e triste,
a sentir, no peito dorido, o meu calado berro,
que nasceu, a chorar, porque o amor existe.
...
Não que quisesse que voltasses atrás,
que sentisses alguma pena ou compaixão,
que olhassese visses o mal que isto me faz,
e me devolvesses o meu, sempre teu, coração.
...
No meu egoísmo poderia um dia querer-te,
poderia até imaginar um futuro, lindo a dois.
Irei continuar, sozinho, no meu sonho a ver-te,
mas já nada será como antes, tudo será o depois.
...
Mas nem assim, deixarei de te querer como quero,
nunca por nunca te deixarei de te desejar e amar,
nunca o que sinto poderá ser reduzido ao simples zero,
porque és unica, um sonho, um tesouro e assim irás continuar.
...
Neste caminho de ferro enferrujado
em que me dói o sentir-te a partir,
Vou sozinho e triste, mas resignado
porque te quero ver um dia a sorrir.